terça-feira, 17 de novembro de 2015

Trap-Ease América: o grande queijo das ratoeiras

Numa manhã de abril, Martha House, presidente da Trap-Ease América, entrou em seu escritório em Costa Mesa, Califórnia, e parou por um momento para contemplar a citação de Ralph Waldo Emerson emoldurada na parede junto a sua mesa.
“Se um homem puder fazer uma ratoeira melhor que seu vizinho, o mundo abrirá caminho até sua porta”.
Talvez, ela pensou, Emerson soubesse alguma coisa que ela não sabia. Ela tinha a melhor ratoeira — a Trap-Ease —, mas o mundo não parecia muito entusiasmado com isso.


Martha acabava de voltar da National Hardware Show (Feira Nacional de Ferragens), em Chicago. Estava exausta: passara longas horas de pé em seu estande respondendo às mesmas perguntas centenas de vezes. Apesar disso, a feira havia deixado Martha animada. Todos os anos, os organizadores da National Hardware Show faziam um concurso para escolher o melhor novo produto lançado na feira. Dos mais de 300 produtos lançados na feira naquele ano, sua ratoeira havia ficado com o primeiro lugar. Essa notoriedade não era novidade para a ratoeira Trap-Ease. A revista People tinha publicado um artigo sobre a ratoeira e diversos programas de TV e publicações especializadas a haviam destacado. Apesar de tudo isso, a demanda esperada para a ratoeira não se materializava. Martha esperava que o prêmio aumentasse o interesse pela ratoeira e as vendas.
Um grupo de investidores que tinha obtido os direitos mundiais de comercializar a inovadora ratoeira tinha montado a Trap-Ease América em janeiro. Em troca dos direitos de marketing, o grupo concordou em pagar ao inventor e detentor da patente, um rancheiro aposentado, royalties sobre cada ratoeira vendida. O grupo então contratou Martha para trabalhar como presidente e administrar a Trap-Ease América.
A Trap-Ease, um dispositivo simples, mas inteligente, era fabricada por uma empresa de plástico contratada pela Trap-Ease América. Ela consistia de um tubo de plástico quadrado que media cerca de vinte centímetros de comprimento e quatro de largura. O tubo ficava dobrado de maneira a formar um ângulo de 30 graus. Assim, quando a parte da frente do tubo ficava sobre uma superfície plana, a parte de trás ficava levantada. A parte de trás possuía uma tampa removível na qual o usuário colocava a isca (queijo, ração para cachorro ou outro petisco qualquer). Uma portinhola com dobradiças ficava na frente do tubo. Quando a ratoeira estava ‘aberta’, essa porta ficava sobre duas pequenas ‘varetas’ anexadas nos cantos inferiores da porta.
A ratoeira funcionava de maneira simples e eficiente. O rato, ao sentir o cheiro da isca, entrava no tubo pela abertura. À medida que ele caminhava pela parte elevada do tubo em direção à isca, seu peso fazia com que essa parte caísse, suspendendo a parte da frente, fechando a porta e prendendo o rato. Pequenos dentes na extremidade das varetas encaixavam-se em uma fenda no canto da ratoeira, mantendo a porta fechada. O rato poderia ser tirado vivo da ratoeira ou sufocaria depois de algumas horas preso.
Para Martha, a ratoeira tinha muitas vantagens em relação às tradicionais ratoeiras de mola e aos venenos. Os consumidores utilizavam a ratoeira de maneira segura e fácil, sem correr o risco de prender os dedos enquanto a armavam. Ela também não feria nem envenenava crianças ou animais de estimação. Além disso, com a Trap-Ease, os consumidores evitavam a desagradável ‘sujeira’ das violentas ratoeiras de mola — ela resolvia o problema de maneira limpa. Para completar, o consumidor podia reutilizar a ratoeira ou simplesmente jogá-la fora junto com o rato.
As pesquisas iniciais de Martha apontaram para o fato de que as mulheres constituíam o mercado-alvo para a Trap-Ease. Ao que parecia, os homens eram mais propensos a comprar e utilizar as ratoeiras de mola tradicionais. Já as mulheres-alvo não gostavam da ratoeira tradicional. Elas geralmente ficavam em casa cuidando das crianças. Assim, queriam um meio de lidar com o problema dos ratos que evitasse os aborrecimentos e riscos que as ratoeiras comuns criavam.
Para alcançar seu mercado-alvo, Martha decidiu distribuir a Trap-Ease por meio de supermercados, lojas de ferragens e redes de drogaria, como Safeway, Kmart, Hechingers e CB Drugs. Ela vendia a ratoeira diretamente para esses grandes varejistas, evitando os atacadistas e outros intermediários.
As ratoeiras eram vendidas em pacotes de duas unidades, e o preço sugerido de varejo era de 2,49 dólares. Apesar de esse preço ser de cinco a dez vezes mais alto do que o das ratoeiras comuns, os consumidores ofereceram pouca resistência. O custo de fabricação da Trap-Ease, incluindo frete e embalagem, era de 31 centavos por unidade. A empresa pagava ainda 8,2 centavos por unidade em royalties. Martha repassava as ratoeiras para os varejistas por 99 centavos por unidade e estimava que, após as vendas e os descontos, a Trap-Ease teria uma receita líquida dos varejistas de 75 centavos por unidade.
Martha tinha um orçamento de aproximadamente 60 mil dólares para promover o produto no primeiro ano. Ela havia planejado utilizar 50 mil dólares desse montante com viagens, para visitar feiras e varejistas, e deixar os outros 10 mil dólares para empregar em propaganda. Entretanto, devido ao fato de a ratoeira ter gerado muita publicidade, ela achou que não precisava investir muito em propaganda. Mesmo assim, colocou anúncios na Good Housekeeping e em outras revistas de ‘casa’. Martha era a única ‘vendedora’ da empresa, mas tinha a intenção de logo, logo contratar mais vendedores.
Inicialmente, Martha previu que a Trap-Ease venderia no primeiro ano cinco milhões de unidades de ratoeiras. Entretanto, em abril, a empresa tinha vendido somente algumas centenas de milhares de unidades. Martha não sabia se todos os novos produtos começavam devagar ou se ela estava fazendo alguma coisa errada. Ela tinha detectado alguns problemas, mas eles não pareciam muito sérios. Um desses problemas era que não tivera muitas compras de reposição. Outro problema era que muitos varejistas com quem Martha entrara em contato mantiveram as amostras das ratoeiras em suas mesas, como uma curiosidade, enquanto ela queria que as ratoeiras fossem usadas e demonstradas. Martha ficou preocupada: será que os consumidores compravam a ratoeira como uma novidade, em vez de como uma solução para os problemas com os ratos?
Martha sabia que para o grupo de investidores a Trap-Ease América tinha ‘uma oportunidade única’ com sua ratoeira inovadora. Ela sentia a impaciência do grupo. Martha tinha um orçamento de aproximadamente 250 mil em custos administrativos e fixos para o primeiro ano (sem contar os custos de marketing). Para deixar os investidores felizes, a empresa precisaria vender uma quantidade de ratoeiras suficiente para cobrir todos os custos e gerar um lucro razoável.
Naqueles primeiros meses, Martha aprendeu que fazer o marketing de um novo produto não é tarefa fácil. Por exemplo: um varejista fez um grande pedido e pediu para que ele fosse entregue em um de seus armazéns, entre uma e três horas da tarde, num determinado dia. O caminhão com o pedido chegou atrasado e o varejista se recusou a receber a encomenda. Para completar, ele disse a Martha que antes de um ano ela não teria outra chance. Martha sentou à sua mesa e percebeu que precisaria repensar sua estratégia de marketing. Talvez ela tivesse deixado de ver alguma coisa ou cometido algum erro que estivesse fazendo com que as vendas fossem tão baixas. Dando mais uma olhada na famosa citação d Emerson, Martha pensou que talvez devesse enviar a esse varejista e a outros clientes uma cópia da famosa citação de: “Se um homem puder fazer uma ratoeira melhor que seu vizinho, o mundo abrirá caminho até sua porta”.

a)   Questões

Martha e os investidores da Trap-Ease perceberam que estavam diante de uma oportunidade única:

a.    De quais informações eles precisavam para avaliar essa oportunidade?

Eles precisavam, sobretudo, saber que nem toda oportunidade é sinônimo de sucesso; nesse caso, especificamente, pode-se observar claramente que eles não fizeram uso das palavras de Kotler:
A unidade de negócios deve estabelecer um sistema de inteligência de MKT para acompanhar tendências e mudanças importantes. A administração precisa identificar as oportunidades e ameaças associadas a cada tendência ou desenvolvimento. (KOTLER ,2000;p.98)

Ou seja, faltaram pesquisas que lhes direcionassem corretamente em suas ações tais como:
§  Aspecto demográfico do público-alvo
Sexo, faixa etária, classe social, grau de instrução, ocupação e outros dados relevantes para compreensão do perfil do target.
§  Aspecto comportamental
Pesquisar hábitos do consumidor em relação ao processo de compra do produto.
§  Pesquisar mercado
Dados atuais, evolução e previsão de vendas e participação de mercado; potencial de consumo; Concorrência; identificar os pontos fortes, os pontos fracos e as ameaças. Depois era só submeter esses dados à análise swot, e claro, a empresa deveria levar em consideração o resultado. Há mais oportunidades do que ameaças ou o resultado foi inverso? E, claro, se o resultado da análise não for o favorável, há de se pensar, de fato, em outras estratégias.
b.    Como você acha que o grupo definiria a declaração de missão da empresa?
Oferecer produtos práticos e confiáveis que atendam as necessidades dos nossos clientes no Brasil e no exterior com baixos custos e segurança na manutenção.
c.    Como você definiria a missão?
Desenvolver idéias e produtos que contribuam para a construção de uma sociedade saudável aproximando nossos clientes de informações e eliminando dessa forma, qualquer risco de contágio por  pragas urbanas.

d.    Martha identificou o melhor mercado-alvo para a Trap-Ease?

Sim, porém, se as pesquisas também indicavam que os homens eram mais propensos a adquirir a ratoeira numa versão mais tradicional, era esse público, o masculino, que deveria ser o foco da estratégia de mkt.

e.    Quais outros segmentos de mercado a empresa poderia objetivar?

E-commerce,escolas de ensino fundamental, lojas de materiais de construção, pet shop, portos, autopeças e igrejas, (sob o argumento de que Em algumas passagens, escritas há 3 000 anos, eles são classificados como “impuros”. Os homens tementes a Deus deveriam manter distância deles).
f.     Como a empresa posicionou a Trap-Ease em relação ao mercado-alvo escolhido?
O posicionamento foi equivocado porque a empresa se limitou somente a promover o produto e não houve uma preocupação em relação de como a empresa seria percebido pelo seu público. Ou seja, o posicionamento foi extremamente comercial.

g.    Ela poderia posicionar o produto de outras maneiras?

Sim ! A empresa poderia ter desenvolvido um posicionamento positivo que fosse percebido pelo seu público e que, esse posicionamento, em longo prazo, estivesse presente no inconsciente do seu público-alvo; um posicionamento que não fosse meramente comercial, que estivesse focado numa proposta de valor, numa razão convincente para  o seu target comprar o produto.
2-    Descreva o mix de marketing atual da Trap-Ease.
Produto
Ratoeira
Um produto oferecido as donas de casas com a  promessa de fisgar roedores de forma menos agressiva e mais higiênica e sem oferecer o mesmo risco das ratoeiras tradicionais
Preço
$2,49 por duas unidades
Praça
Supermercados, lojas de ferragens e redes de drogaria.
Promoção
Artigos e publicações em revistas especializadas, programas de Tv

a.    Você vê algum problema com esse mix?
Sim, acredito que os dois principais problemas estão na distribuição (Praça) muito limitada e na comunicação (Promoção) sem relevância sobre o produto apresentado.
b.    . Qual é a concorrência da Trap-Ease América?
O mercado tradicional de ratoeiras
c.    O que você mudaria na estratégia de marketing da Trap-Ease?
  •     Acrescentaria o produto em outros segmentos;
  •     Mudaria a comunicação da empresa com o público-alvo; 
  •     Implantaria o marketing de conteúdo;
  •     Promoveria um PDV alternado nos diversos pontos de vendas,
  •     Realizaria demonstração de como utilizar o produto;
  •     Entregaria material informativo sobre roedores e os riscos de tê-los em casa (panfletos, folders);
  •    Levaria esse formato de comunicação ao maior número de escolas possíveis, buscando atrair as crianças como defensores e comunicadores da marca.
d.    Que tipos de procedimentos de controle você estabeleceria para essa estratégia?

Acompanharia a equipe em todos os primeiros eventos que estivessem planejados para garantir a aplicação correta das táticas a serem desenvolvidos, reforçar e orientar se preciso for; no caso da implantação do mkt de conteúdo, todas as ferramentas de monitoramento estão disponíveis na própria internet, se algo não está saindo conforme planejado muda-se as estratégias sem danos ou grandes prejuízos. 

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